ORGANDI

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Alguma escrita

A escrita em público vacila
(tímida)
A escrita sabe seu potencial destruidor e
por isso
cuida de permanecer latente

Ela paira pelas
frestas
dos parques vazios
dos quartos ardentes

Não é que ela não queira
nascer
crescer
padecer

É só que
ela espera o momento
o alento
o vacilo

A escrita percebe
o descuido do momento oportuno
só um pouco antes de saltar à caneta

E então a escrita destrói
mas apenas o necessário
para criar

Faz-se o verbo
Vai-se o silêncio

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