Era uma tarde quente. Ou talvez não fosse uma tarde. De qualquer forma, tenhamos, por suposto, que estivesse quente. Estava um menino sentado na calçada. Sentado, o menino talvez estivesse em pé, apoiado no muro. Ou ainda simplesmente passando distraído pela esquina, neste mesmo momento, em que talvez estivesse quente.
Fora possível que ele, o menino, um menino, pensasse no clima. Ainda que mais provável fosse que pensasse nas lições. Se passasse uma bola, pensaria em jogar. A esquina, talvez fria, podia ainda não abrigar desconhecidos. E assim, na ausência de um observador presente, podia ela mesma, a esquina, brincar de afundar-se na calçada. Acontece que, aparentemente, naquele momento, por ali, passava um menino. Que com o caderno aberto, distraído, chutava a bola. E notava a brisa fria da tarde que lhe parecia quente. E que por não ter ninguém na esquina, afundava-se ele na calçada, o rosto nas mãos em vê.

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial